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Evasão

Ao longe, não muito longe, tão perto até que a vista alcança a alva espuma das
vagas que se enrolam num lânguido espreguiçar de prazer.
Pairando sobre elas uma ave não grasna, não luta, não se debate, embala-se a si própria nos rodopios da brisa leve.
Á míngua não descortina razão para mergulhar como tão bem sabe fazer.

Sentei-me na pedra fria que delimita os meus sonhos, aqui e ali salpicada pelo sal da água que se evadiu e morreu.
No horizonte, uma coluna de fumo pardacento eleva-se sobre uma silhueta negra
a lembrar fantasmas, de contos de fadas.
No jardim fronteiro, nervoso um canito rodopia, focinho no chão soltando breves latidos persegue a presa imaginária.

Há vida para lá do silêncio, só o tolo não aproveita a brisa leve, não solta as amarras e não persegue a presa que o agrilhoa.

Comments

às vezes é preciso um pouco de solidão para nos ouvirmos!

Não sei o que tenho que fazer para os meus comentários aparecerem!!!!

parabens por este pedaço de texto que pode ser poema!

kinaqafna pqoigebqhie