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Pode lá haver gigantes nesta Pátria atraiçoada…

A turba entrou em delírio, agigantaram-se todos os pequenotes, esvoaçaram ao vento da quase loucura acotovelando-se sem cuidado, todos os mirantes daquela praça reavaliada.
Seria desgraça anunciada, o que empurrava aquela turba desenfreada aos magotes ou apenas algum arcanjo que descera dos céus num pronuncio de morte, ou num raio de vida curta, como se requer a qualquer enviado.

Pensei.
Será que contrariando toda a metafísica e abanando toda a heresia, afinal o Messias ou apenas talvez o “anjo da guarda” da minha infância decidira-se a enviar um sinal, talvez anunciando não a peste tão iníqua mas a própria morte por troca pela vida perdida?

Eu pecador não senti nenhum calafrio, nem o café quente que degustava com prazer empalideceu ou gelou, a adrenalina num frémito de gozo permaneceu adormecida a meus pés.
Algures, o som de uma lira tocada por algum anjo desconhecido embalava os meninos abandonados como que lhes dizendo, dormi, dormi…
O meu vizinho do lado, desgraçado sem emprego, com a mulher quase tuberculosa e os putos numa correria desenfreada batendo os pés nus sobre a velha alcatifa, berrava quase sem tino mas convicto que todos ouviríamos.
Há sempre uma voz que diz não!!!

Um último trago no café agora morno e entre dentes para ser escutado apenas pelos meus botões desabotoados, ou para calar o absurdo (?) pensei, será que há!


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