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novembro 27, 2005

A crise na justiça é igual à crise de valores de quem na prática a não pratica.

Ambos, governantes e juízes, são titulares de órgãos de soberania, dependentes da fidelidade à Constituição da Republica.
Não podem continuar de costas voltadas, em guerrilhas individualistas, promovendo e extremando posições na defesa de privilégios absurdos.
É sintomático e vezes sem conta alertado por diversos Blogues, que as greves nos funcionários do estado têm sempre à partida números de adesão errados, já que são poucos os que assumem em pleno o uso daquele direito constitucional.
Vindo das classes mais desfavorecidas, de rendimentos mais baixos, onde a falta do vencimento relativo a um dia de greve, tem efeitos negativos na gestão familiar, compreende-se, não se pode aceitar, mas compreende-se.
O mesmo juízo não se adapta aos titulares de órgãos de soberania, nomeadamente aos senhores juízes e outros magistrados, que pagos para defenderem a moral e a aplicação da justiça de forma justa e equilibrada, acabem por ser seduzidos por um dia de greve aplicado no exercício da sua actividade, mas não assumido na hora da declaração da sua actividade quotidiana para efeitos de vencimento.

Mais de 30% dos magistrados não comunicaram adesão a greve

novembro 25, 2005

O actor principal.

A farsa cedo começou a ser escrita, encenada, com actor principal escolhido, um actor apto às exigências do papel, afinal trata-se de um monólogo.
Nem todos os actores disponíveis beneficiam daquele dom natural, apenas privilégio de alguns autistas, apenas os interiorizados detêm a capacidade de deixar gerir os seus espaços ao toque da marcha mandante dos “iluminados”.
Apenas se pede ao actor principal que colabore, que siga à risca as deixas que lhe escreveram, o contra regra há-de enviar-lhe atempadamente os sinais necessários a uma intervenção mais apaixonada, daquelas que o povo gosta, que lhe faz soltar uma lágrima cúmplice ante a (falsa) dor da personagem interpretada.
O espaço está preparado para a estreia, continuamente a promoção enleva a categoria da peça e exalta o espírito de sacrifício do actor principal.
Os escribas de serviço tratam de prever um enorme sucesso, garantem uma estreia estrondosa, precavidos tratam da garantia da receita de bilheteira.
Afinal a história é singela, um tipo de folhetim plagiado das vivências dos anos quarenta, que para lhe dar algum crédito, apenas faltará um gesto não terreno…


A ponte aérea do “amigo”

Uma onda de histerismo tem nos últimos dias invadido a Europa.
As actividades “secretas” deviam passar despercebidas aos olhos/ouvidos do cidadão comum.
Mas por vezes, sentidos existem que passam a rumores, que cedo se transformam em verdadeiros histerismos.
Afinal as actividades anti sociais, anti direitos humanos, antidemocráticas da CIA são por demais conhecidas de todo o Mundo, mas parece que só algumas falam mais alto.
Por detrás de qualquer Pinochet, qualquer Shuarto, qualquer Videla, qualquer Fujimori, qualquer Bocasa, qualquer Idiamine há sempre uma mão cheia de ódio, de dólares dos Americanos e do seu braço desestabilizador a CIA.
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A opinião pública agradece todos os esforços da comunidade Europeia em esclarecer mais esta tropelia do “amigo” Americano. Mas mais agradeceria se isolassem esse falso amigo, no campo militar e na gestão dos seus (deles) direitos sobre os destinos dos outros povos.


novembro 20, 2005

Financeiros

A pré campanha para as presidenciais está nas ruas.

Encaminhado pela curiosidade, dei uma volta pelos Blogs das candidaturas de Manuel Alegre, Mário Soares e Cavaco Silva.

Sem surpresas, apenas no blog de Manuel Alegre surge um link que nos encaminha para as formas de financiamento da campanha.

Pena é, que aqueles que têm acesso à Internet, não consigam ver para lá das preconcebidas.

FINANCIAMENTO

novembro 18, 2005

O porco da vizinha

O ministro Correia de Campos pese embora alguns lapsos de memória e algumas incoerências, tem demonstrado alguma resistência às corporações de há muito instituídas.
Mas é necessária muito mais perspicácia, muito mais tenacidade, melhor leitura dos dossiers.

Um erro de leitura, terá levado o ministro a não prosseguir no desenvolvimento da sua teoria, sobre a quantidade de médicos de oftalmologia existentes num hospital.
Será uma verdade que os números não desmentirão, não haverá médicos a mais, nem dessa nem de nenhuma outra especialidade, nem neste, nem naquele hospital.

Aquilo que se passa o Sr. ministro tem conhecimento cabal, já não é novato nestas andanças pelo ministério da Saúde, só tem de mandar executar as medidas adequadas.

A questão da assiduidade, da dedicação, da honestidade, da “competitividade”, da mobilidade, tem de deixar de ser tabu.
Aquilo a que se assiste, já o disse vezes sem conta, é ao engordar do porco da vizinha, enquanto o nosso fenece.

E eu não quero acreditar que o Sr. ministro prefira engordar o da vizinha.

Até quando durará a resistência.

As questões da globalização têm destas coisas, a facilidade de se adquirirem produtos das mais diversas proveniências.
A outra face da moeda na generalidade está oculta.

A globalização poderia ser sinónimo de vantagens, dada a profusão de produtos, um maior leque de escolhas, uma maior concorrência.
Que nem sempre se traduz em melhores preços.

Está na moda a questão dos têxteis, mais a exploração social do trabalhador, acrescida pela mão-de-obra muito barata, inexistência de condições sociais, de protecção aos menores, à mulher, aos idosos.
Este “paraíso” afirmam, estará confinado a Países como China, o Vietname, o Bangladesh…
E as críticas (justas) surgem desabridas, condenando os senhores “detentores” desses povos.

Pura ignominia, os maiores detractores daquelas sociedades, são os mesmos, que

exploraram (exploram) mão-de-obra barata em Portugal, que partiram para o outro lado da Europa procurando nova mão-de-obra barata, que já se instalaram no Continente Asiático, ainda com o mesmo sentido de mais mão-de-obra barata, ausência de protecção social, de segurança.
São os mesmos que nos seus países de origem exploram os trabalhadores, a troco de trabalho precário, pagos à peça, ou sem vínculo, logo sem encargos sociais e fiscais.
Eles não defendem os direitos de quem trabalha, estão apenas chateados porque os trabalhadores deste lado do Mundo ainda resistem.

novembro 15, 2005

O MINISTRO DA SAÚDE, TEM DE FALAR VERDADE.

O aumento de 9,1% nas taxas moderadoras, planeado pelo governo, não é na verdade um “aumento do outro Mundo” como muito bem disse o ministro da saúde.
É um aumento só possível em Portugal.
As taxas moderadoras nunca serviram o fim de onde herdaram o nome, a degradação continua e sistemática dos serviços Médicos nas Unidades de Saúde, cedo empurraram os utentes mais carenciados economicamente para as urgências Hospitalares, originando a degradação destes e o aparecimento nas Unidades de Saúde do chamado “Atendimento Complementar” rapidamente transformado em “serviço de urgência” pelos clínicos e numa alternativa às consultas normais pelos Utentes.
O aumento das taxas moderadoras em função do custo de vida, de igual modo, vem penalizar os mais carenciados, pois é sabido que a proliferação de organismos privados de prestação de cuidados de saúde, cresce em função do decréscimo da qualidade do SNS e é mantido pela classe média e média alta.

Começa pois a faltar paciência para aturar tanta demagogia e charlatanismo, é preciso que os ministros da Saúde, tantos quantos por lá passaram assumam de vez a extinção do SNS e a sua cedência ao sector privado.

Adulterado

Os grandes senhores do capital e suas forças políticas continuam na tentativa de venda de um produto (sem) passado, adulterado nas suas origens, sem perfil de qualidade.
Até acredito que o professor esteja a fazer o frete, dada a sua falta de jeito para a arte de comunicar, dado o seu incómodo pelas recordações do passado, dada a sua recusa em reconhecer as próprias origens.
É assim a modos como promover um vinho, sem casta de qualidade reconhecida
pouco encorpado, mas com um rótulo pomposo.

novembro 11, 2005

O meu sentido de voto

Não é fácil ajuizar os comportamentos da classe política dominante no activo, ou na “reserva”.
Está presente no pensamento de qualquer um, que mesmo há esquerda, existem os economicamente ricos e os pobres.
Há uma clara diferenciação de classes nos sectores tradicionalmente à esquerda, que pese embora nada tenha que ver com a ultra conservadora direita, marca a diferença social de uma esquerda menos reivindicativa porque mais bafejada pela fortuna, com a tradicional esquerda sempre abandonada.
Não alimento ilusões sobre os destinos deste País, por muito que o governo do PS ou do Sócrates, pretendam demonstrar com as reformas tomadas e as que se ficam pelas ameaças.
Na hora decisiva de colocar nas urnas o papelinho, que até pode nada influir, sei de antemão os caminhos por onde não vou.

A próxima escolha reporta-se ao novo habitante para o palácio de Belém.

Embora o leque se apresente bastante diversificado, a escolha é tudo menos pacífica.
Já sei que em Cavaco Silva nunca votarei, não porque tenha para com o Sr. qualquer

ajuste de contas pessoal, apenas porque historicamente ele representa tudo aquilo contra quem sempre lutei, assim como o fez uma parte grandiosa deste povo Português.
Mário Soares até poderia ser um sentido capaz, já que de todo o modo representa um caminho menos ambíguo, mais social até.
Mas MS está definitivamente comprometido com o sistema bipartidário, faz parte da tal esquerda rica e não acredito que seja um torniquete aos desvios de Sócrates.
Jerónimo ou Louçã, não têm evidentemente a ambição nem sequer a convicção de mobilizar as gentes deste país, contra um sistema instituído que permanentemente bafeja os afortunados em detrimento dos excluídos.
Resta Manuel Alegre.
Não que os outros candidatos, os menos referenciados, não mereçam o meu olhar atento sobre as suas propostas, apenas porque sei que as movimentações se jogam em torno de Cavaco e Soares, surgindo qual pedra no sapato, Manuel Alegre.
Este candidato, pode surpreender pela positiva, assim ele saiba manter a equidistância partidária.
Mas tenho presente, que Manuel Alegre apenas sairá vencedor se toda a esquerda, se todos os excluídos, se todos os pobres e os menos bafejados pela fortuna se unirem numa campanha sem precedentes, contra o sistema que nos ameaça sufocar.

Jerónimo e Louçã, têm de descortinar sem ambiguidades, quem são os inimigos das classes mais desfavorecidas, quem pode assumir um compromisso sério na defesa e aplicação dos poderes constitucionais do PR .


Como num passe de mágica

Aparecem como por acaso, saídas de discursos bem delineados, estudados por mestres da comunicação e ficam pairando sobre as cabeças dos Portugueses como meras “gaffe”.
Não cabe no entendimento do menos formado dos Portugueses, que um douto professor troque os nomes de Instituições Nacionais (que se conhecem, aprendem nos bancos da primária), que demonstre não saber a que eleição afinal se candidata.

Fica esclarecido, que o homem já sabe que não será nunca reconhecido por aquilo que pretende afirmar que fez, mas sim pelos erros de prestidigitador falhado…

novembro 09, 2005

Esterilizai-os todos

O fenómeno da emigração não é do século passado.
As sociedades mais desenvolvidas a nível industrial, sempre tiveram necessidade de mão-de-obra barata.
Tudo teve o seu início com o recurso aos escravos, oriundos primordialmente de Africa.
A revolução industrial, acabaria por conduzir à necessidade de uma mão-de-obra mais evoluída, mais qualificada, mas igualmente barata. Acontece então o fenómeno da emigração, já não apenas de África, mas da própria Europa.
Com o fim da 2ª Guerra Mundial, os países beligerantes, vencedores e vencidos tinham forçosamente de evoluir economicamente, inicia-se então o recrutamento de mão-de-obra nas “colónias” Africanas.
Era inevitável que a sociedade de consumo acabaria por produzir mais do que consegue consumir, daí ao desemprego foi um pulo breve.
Os senhores do grande capital deste mundo, aqueles que se serviram dessa mão-de-obra barata, deviam ter esterilizado os casais de emigrantes.
Teriam evitado que as ruas desta velha Europa se fossem enchendo de filhos de emigrantes, desempregados, excluídos.
Já não existiriam igualmente motivos para as bacoradas que se ouvem por aí, de gentinha sem formação política e moral, a acusarem o estado social de ser o único responsável pela revolta dos excluídos.

novembro 08, 2005

O reconhecimento de um erro, as desculpas e a gratidão

Sepultado o corpo de meu pai, por ironia do destino, mais talvez do que pela disponibilidade do cemitério local, repousa agora à sombra de frondosa árvore.
É justo ele merece-o.

A cabeça ainda não se reencontrou totalmente com o resto do corpo, mas deu para entender que a configuração do blog já conheceu piores dias.
A todos quantos por aqui passaram desde o primeiro dia, dando algum significado a esta existência, as minhas desculpas pela forma desapropriada como foram tratados.
Está emendado o erro na configuração dos comentários.

A todos os outros que me proporcionaram a gentileza da sua solidariedade, nesta hora difícil que encerra um ciclo de vida, o meu obrigado.

novembro 06, 2005

ADEUS JOÃO PAULO

Sabes João Paulo, sempre tive a noção que eras um homem de coragem, trabalhador insaciável e sempre mal remunerado, pouco instruído, mas amigo da família por quem tudo entregavas.
A tua companheira de sempre, a minha mãe, partiu há cinco anos e tu ficaste mais teimoso, fechaste-te na tua concha o teu quarto, dias e noites revivendo o passado e as saudades daquela mulher que sempre contigo comungou as agruras de uma vivência muito difícil. Bem sei que outros ventos sopraram, é verdade já eras velho, mas não o suficiente que te limitasse os movimentos para acompanhares o crescimento dos teus netos, hoje homens e mulheres.
Sabes, poucas vezes te vi chorar e recordo há cinco anos, como os teus olhos tremeram alagados de uma dor que ninguém compreenderá nunca. Como me olhastes e perguntaste “o que fico cá a fazer?”.
Hoje não consigo alijar as minhas próprias culpas, por não te ter forçado a sair da tua concha, de não te ter obrigado a um quotidiano diferente.
Há dias, quando te vi pela penúltima vez, lutavas contra a morte, esbracejavas quase sem força tentando afastá-la, tive a noção que perante a tua consciência desfilava num tropel grotesco toda a tua vida. Chorei também perante a minha insignificância por não te poder valer. Bem sabes que não sou dado a coisas etéreas, mas gritei para o meu peito, deixa-o! Tu que o puxas vai-te.
Debilitado regressaste do hospital menos trémulo, menos atento aos pormenores com a morte no olhar, apenas adiada.
A última vez que nos vimos, já pouco de mim recordavas, apenas aquela leve carícia que trocámos me recordou cumplicidades antigas e quero acreditar que um leve brilho te surgiu no olhar.
É irrelevante contudo, partes de consciência tranquila porque destes tudo o que pudeste aos teus filhos são eles que podem ter algum peso na consciência, por ignorarem a dívida nunca saldada.
Hoje partiste, não cheguei a tempo de te olhar, não me despedi de ti.
Nunca mais ralharás comigo, nem eu contigo, nunca mais levarás os netos às cavalitas nem eu te levarei a conhecer outras terras.
Nestes momentos, acabamos por derrubar os muros que fomos construindo ao longo da vida. E do fundo do coração, te desejo que reencontres, se isso for de facto possível, lá não sei bem onde, a tua companheira de sempre.
Adeus Pai!

novembro 04, 2005

Eles andavam mesmo a pedi-las

A violência desceu às ruas de Paris, por enquanto restringe-se aos subúrbios.

A “escumalha” responsável, na voz do ministro Francês, pelos desacatos tem obtido algum eco um pouco por essa Europa, não se estranhando que aqui neste recanto, surjam vozes concordantes com tal afirmação.

Muito para lá da cor da Pele, da religião, ou das opções políticas, o paraíso deixou mesmo de existir.

As políticas do governo Francês dão cobertura à reacção violenta de uma parte da sua população emigrante ou não.
Não ficarei surpreendido se aquela onda de contestação acabar por se alargar um pouco por toda a Europa dita comunitária.
É que os senhores do poder andam a pedi-las há muito tempo….

POR CORTESIA

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Para as calendas terão sido atiradas as restrições às mordomias e outras ias dos senhores políticos no activo, na reserva ou de passagem pela política.

Estou para ver se a divisão dos lucros do Euro milhões, que não vão para os futebois dizem eles, sempre acabam por ter outros beneficiários tão necessitados como aqueles.

novembro 03, 2005

INOCÊNCIAS

Este blog não está com os velhos do Restelo, nem com os “inocentes” de Bloqueime.
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