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ADEUS JOÃO PAULO

Sabes João Paulo, sempre tive a noção que eras um homem de coragem, trabalhador insaciável e sempre mal remunerado, pouco instruído, mas amigo da família por quem tudo entregavas.
A tua companheira de sempre, a minha mãe, partiu há cinco anos e tu ficaste mais teimoso, fechaste-te na tua concha o teu quarto, dias e noites revivendo o passado e as saudades daquela mulher que sempre contigo comungou as agruras de uma vivência muito difícil. Bem sei que outros ventos sopraram, é verdade já eras velho, mas não o suficiente que te limitasse os movimentos para acompanhares o crescimento dos teus netos, hoje homens e mulheres.
Sabes, poucas vezes te vi chorar e recordo há cinco anos, como os teus olhos tremeram alagados de uma dor que ninguém compreenderá nunca. Como me olhastes e perguntaste “o que fico cá a fazer?”.
Hoje não consigo alijar as minhas próprias culpas, por não te ter forçado a sair da tua concha, de não te ter obrigado a um quotidiano diferente.
Há dias, quando te vi pela penúltima vez, lutavas contra a morte, esbracejavas quase sem força tentando afastá-la, tive a noção que perante a tua consciência desfilava num tropel grotesco toda a tua vida. Chorei também perante a minha insignificância por não te poder valer. Bem sabes que não sou dado a coisas etéreas, mas gritei para o meu peito, deixa-o! Tu que o puxas vai-te.
Debilitado regressaste do hospital menos trémulo, menos atento aos pormenores com a morte no olhar, apenas adiada.
A última vez que nos vimos, já pouco de mim recordavas, apenas aquela leve carícia que trocámos me recordou cumplicidades antigas e quero acreditar que um leve brilho te surgiu no olhar.
É irrelevante contudo, partes de consciência tranquila porque destes tudo o que pudeste aos teus filhos são eles que podem ter algum peso na consciência, por ignorarem a dívida nunca saldada.
Hoje partiste, não cheguei a tempo de te olhar, não me despedi de ti.
Nunca mais ralharás comigo, nem eu contigo, nunca mais levarás os netos às cavalitas nem eu te levarei a conhecer outras terras.
Nestes momentos, acabamos por derrubar os muros que fomos construindo ao longo da vida. E do fundo do coração, te desejo que reencontres, se isso for de facto possível, lá não sei bem onde, a tua companheira de sempre.
Adeus Pai!

Comments

Meu querido amigo Zé;
Sei que não há palavras que bastem para sarar a dor que invade os homens nobres nestas horas, e tu és um deles. Mas acredita que sabem bem e confortam bastante os abraços dos amigos, por isso aqui vai o meu, bom Zé Gonçalves, solidário contigo nesta hora complicada.
Zecatelhado

Amigo, aceite, do fundo do coração, a minha mais profunda e sincera solidariedade.
O meu, partiu faz agora um mês. Sei o que é isso.
Um abraço

Nestas horas difíceis nada podemos fazer em relação à dor
de quem sofre senão o de nos solidarizarmos. Os meus sentimentos. Com um abraço do Raul

Um abraço sentido, como os que recebi quando o meu Pai também partiu...

Um grande abraço para ti.
O meu partiu há um ano e pouco e deixou um vazio imenso que ainda hoje sinto.
Amigo, sei o que sentes... aquela sensação de poder ter dado mais um pouco... e que não demos.
Agora só nos resta relembrar o sorriso lindo que nos dava quando nos via!

Amigo, aceite a minha mais profunda e sincera solidariedade.
Um abraço da Fundação Canzoada

Um abraço!
Padeço do mesmo...

Um abraço!
Conheço a dor, padeço do mesmo e nada posso alterar.
Acho que se perde a maior fortuna...

Como eu compreendo essa dor.
A minha solidariedade.

Cumpriu-se uma Vida!
A saudade instalou-se para ficar. Bj

Infelizmente sofri cedo demais essa dor e até hoje é algo bem presente.
Deixo-te o meu abraço de amizade e solidariedade.