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O meu sentido de voto

Não é fácil ajuizar os comportamentos da classe política dominante no activo, ou na “reserva”.
Está presente no pensamento de qualquer um, que mesmo há esquerda, existem os economicamente ricos e os pobres.
Há uma clara diferenciação de classes nos sectores tradicionalmente à esquerda, que pese embora nada tenha que ver com a ultra conservadora direita, marca a diferença social de uma esquerda menos reivindicativa porque mais bafejada pela fortuna, com a tradicional esquerda sempre abandonada.
Não alimento ilusões sobre os destinos deste País, por muito que o governo do PS ou do Sócrates, pretendam demonstrar com as reformas tomadas e as que se ficam pelas ameaças.
Na hora decisiva de colocar nas urnas o papelinho, que até pode nada influir, sei de antemão os caminhos por onde não vou.

A próxima escolha reporta-se ao novo habitante para o palácio de Belém.

Embora o leque se apresente bastante diversificado, a escolha é tudo menos pacífica.
Já sei que em Cavaco Silva nunca votarei, não porque tenha para com o Sr. qualquer

ajuste de contas pessoal, apenas porque historicamente ele representa tudo aquilo contra quem sempre lutei, assim como o fez uma parte grandiosa deste povo Português.
Mário Soares até poderia ser um sentido capaz, já que de todo o modo representa um caminho menos ambíguo, mais social até.
Mas MS está definitivamente comprometido com o sistema bipartidário, faz parte da tal esquerda rica e não acredito que seja um torniquete aos desvios de Sócrates.
Jerónimo ou Louçã, não têm evidentemente a ambição nem sequer a convicção de mobilizar as gentes deste país, contra um sistema instituído que permanentemente bafeja os afortunados em detrimento dos excluídos.
Resta Manuel Alegre.
Não que os outros candidatos, os menos referenciados, não mereçam o meu olhar atento sobre as suas propostas, apenas porque sei que as movimentações se jogam em torno de Cavaco e Soares, surgindo qual pedra no sapato, Manuel Alegre.
Este candidato, pode surpreender pela positiva, assim ele saiba manter a equidistância partidária.
Mas tenho presente, que Manuel Alegre apenas sairá vencedor se toda a esquerda, se todos os excluídos, se todos os pobres e os menos bafejados pela fortuna se unirem numa campanha sem precedentes, contra o sistema que nos ameaça sufocar.

Jerónimo e Louçã, têm de descortinar sem ambiguidades, quem são os inimigos das classes mais desfavorecidas, quem pode assumir um compromisso sério na defesa e aplicação dos poderes constitucionais do PR .


Comments

Concordo com praticamente todos os teus argumentos. Também, à partida, Manuel Alegre é o meu candidato. Veremos como tudo isto se desenrola.
Um abraço

Mal daqueles caro Gonçalves que, conhecendo bem os candidatos à eleição presidencial necessitam de
ouvir as suas promessas que
já em anteriores situações de eleições não cumpriram. Daí a razão porque votarei Manuel Alegre dado que ainda não nos deu oportunidade de o poder criticar por falta de cumprimento de uma promessa eleitoral.

Tenho estado atento a todos os candidatos de esquerda(O outro nem fala...), mas uma coisa aconteceu que me caíu muito mal.
A ausência de Manuel Alegre na votação do Orçamento. Ao não ter suspendido a sua condição de deputado TINHA que estar presente, votando favorávelmente ou não.
A sua saída estratégica decepcionou-me muito.

M Alegre foi bem claro quando afirmou publicamente que estaria presente caso o seu voto fosse imprescindível. De resto é por MA que a saída existe de forma airosa...

A minha razão pela qual apoio o M. Alegre é pública e está no canto direito do meu blog.


Um abração do
Zecatelhado

Estou contigo.Para esse tb não vai o meu voto. Contudo ainda estou a "digerir" a ideia de em quem devo votar. Até ainda falt algum tempo. Fica bem.........excelente domingo e obrigada pela visita. Bjs

Prezado Gonçalves,

Tenho acompanhado este teu espaço, assim como o "Anomalias", do Morfeu, lendo algumas das considerações aqui e lá postadas.
Deixa-me impressionada a postura política de vocês, portugueses. Como se revoltam com coisas que, a meus olhos brasileiros, são mínimas...
Fico imaginando se vocês para cá viessem, lessem e escutassem tudo o que hoje por aqui se passa!!!!...
Não sei quem está certo: se nós brasileiros, com esta nossa "carcaça protetora" contra toda a corrupção que nos assola, meio fantasiados de jacarés... ou se vocês com esta berligerante vontade de ter tudo arrumado politicamente...
Pessoalmente, convenci-me de que a POLÍTICA, POLITICAMENTE FALANDO, não tem jeito - É SUJEIRA TOTAL...
(opppsss, será que estou aprendendo????)
Abração.

Olá JGonçalves,
Manuel Alegre, como já aliás escrevi no meu blogue é o único que terá o meu voto. Na primeira e na segunda volta.
Um abraço.

Mais ou menos de acordo com o que aqui é dito!

Vim "pagar" a visita. O seu comentário foi a um post de um colega de blog mas não perde por isso. Apreciei as (boas)intenções do Querem Mama e por isso vou lá colocar um link. Estaremos provavelmente distantes do entendimento da realidade política mas menos, talvez, nos objectivos.
Quanto às presidenciais é bom averiguar porque é que
a candidatura de Alegre é tão simpática aos cavaquistas (é aliás o seu seguro de vida no caso de ficar à frente de Soares e Cavaco não ganhar à 1ªV)e por que tanto Jerónimo como Louçã atacam, ainda que moderadamente, mais Manuel Alegre do que Soares. Poderíamos concluir que seria por mera disputa de eleitorado nas fronteiras mas se fosse essa a única razão não teriam feito já sinais claros de apoio a Soares à segunda volta com Saramago e Joana Amaral Dias. Mera avaliação da capacidade de ganhar a Cavaco.