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dezembro 25, 2005

A tragédia da sociedade

A tragédia da morte acaba sempre por se transformar em notícia empolgante.
Traçam-se perfis obscuros, por que são os mais rentáveis, insiste-se em não aprofundar as causas, não apenas por laxismo, mas porque tal conhecimento não vende.
Duas crianças perderam a vida num incêndio na sua própria casa, quando se encontravam sozinhas.
As notícias procuram apontar responsáveis, não se coíbem de procurar responsabilizar o estado, julgam o “desleixo” dos progenitores.
Afinal o que está em causa é o esconder das responsabilidades da própria sociedade que nos tem vindo a transformar em monstros egocêntricos, onde apenas tem cabimento o nosso bem-(mal) estar, isolados do resto da sociedade.
Sou do tempo em que os vizinhos eram vizinhos, em que não se procurava esconder a miséria nem a riqueza, em que se comungavam preocupações, em que se partilhava o sal ou o açúcar, o tempo em que os filhos dos nossos vizinhos eram nossos vizinhos e nos preocupávamo-nos com a segurança deles tal qual com as dos nossos.
Havia uma partilha cúmplice de responsabilidades, todos pobres mas todos responsáveis pela sobrevivência de cada um.
Nos dias que correm, vivemos isolados do mundo exterior às noticias das TVs, vivemos para trabalhar, para gastar e voltar a trabalhar, refugiamo-nos no nosso espaço, encerrando à nossa volta as misérias que a sociedade dita moderna nos impõe e conseguimos conviver sem revolta com o ostracismo que nos vem tornando em seres inumanos de solidariedade.
As causas daquela tragédia acabarão por ser descortinadas, alguém vai acabar por ser punido, mas os verdadeiros culpados continuarão impunes.

dezembro 20, 2005

Uma época de tréguas

É tradição secular, a troca de votos de boas festas nesta época em que se procura manter vivo o espírito de Natal, pese embora a descaracterização social que lhe é imprimida.
A questão espiritual, mola de impulsão desta época do ano, vai, pese alguns transvios procurando afirmar-se, muito embora as questões materiais se venham a sobrepor às questões sociais.
Ninguém consegue ficar indiferente à realidade, ainda que muito adulterada na sua afirmação secular.
Assiste-se a um corrupio de dimensões desajustadas, face aos problemas sociais e económicos que se vive na generalidade dos lares Portugueses, na dimensão dos gastos que acabam por ofuscar a realidade das carteiras.
Seria talvez lamechas relembrar aqui, quantos seres humanos por este país fora, não têm razões para sorrir nesta época.
Mesmo assim e porque não me considero acima do cidadão comum, seria erróneo da minha parte não demonstrar a gratidão por estar vivo e ser merecedor dos votos de todos quantos nesta época me desejaram um bom Natal e festas felizes.
Nesta hora, o meu desejo sincero de que todos possam usufruir do melhor que esta época lhes possa proporcionar, na companhia dos seus familiares e amigos e que apesar de tudo a fraternidade familiar se sobreponha a querelas sem sentido.
Façam lá o favor de se sentirem felizes e de passarem estes dias festivos na melhor das concórdias no seio familiar, sem descurar a guarda…
Um Bom Natal para todos!

dezembro 18, 2005

Eles já erguem a crista, já cheiram o podre dos nossos cadáveres, numa morte antecipada.

Era inevitável que os “neofascistas” do tipo Ribeiro e Castro começassem a erguer a crista.
Basta um sinal por mais leve que possa parecer, para se erguerem os vozeirões das bestas de sempre. Os tais que do passado apenas recordam com saudade, os tempos em que ditavam as leis, sobre tudo e sobre todos.
Não estão suficientemente longe os longos anos da besta fascista em Portugal, assim como o não está, o genocídio das populações Europeias, que foram trucidadas pela direita fascista da primeira e da segunda guerra mundial.
Aqui e agora será conveniente não embarcar nos esquecimentos da direita em Portugal.
Há que não esquecer a longa noite de Salazar, Caetano e seus seguidores, não há que esquecer os que morreram apenas pelo direito à palavra, escrita ou falada, nos que foram trucidados, espezinhados, estropiados pela policia fascista, ao serviço dos Ribeiro e Castro da época.
Afinal as conclusões da minha opinião anterior, pecaram apenas pela antecipação, madraços será aquilo que temos vindo a ser e que eles têm como adquirido, seremos para todo o sempre.

dezembro 17, 2005

MADRAÇOS

Não há bonomia no borrego que se deixa conduzir ao cadafalso.
E muito menos no cornudo em que o demo (dizem) é costume encarnar.
Os nossos patrões andam tristes, é notória a falta de alegria que aquela gente
costumava transmitir.
Tristeza comungada por larga percentagem de políticos e seus mandantes.
Somos culpados, porque não nos deixamos explorar (ainda mais), porque teima-mos em resistir, porque faltamos quando é inevitável e ainda temos o descaramento de adoecer ou engravidar as nossas mulheres, trabalhadoras como nós.
Temos de expiar a nossa culpa, porque assistimos ao desespero dos nossos “casacas” e ao seu dilema de opção, ou cumprem os deveres fiscais ou trocam de carrão e nada fazemos para melhorar a sua situação.
Somos afinal uma cambada de mal agradecidos, não permitimos que os nossos filhos menores abandonem a escola e vão engrossar as fileiras dos assalariados mal pagos.
Esbracejamos contra o aumento da idade da reforma enquanto gozamos com o aumento da esperança de vida, conseguida com um serviço nacional de saúde que nos esquece, que nos adia, que nos selecciona, que nos sai do bolso.
Somos insensíveis ao sofrimento dos “mandriões” que foram atingidos pelo desemprego, que mitigam um rendimento social, mas pelejamos pela ascensão de novos “profetas”.
Indiferentes ao aumento das mordomias para uns e ao aumento do desespero para outros, trocamos sem revolta o manjar dos pobres pela comida de cão.
Todos iguais, mas todos diferentes, na indiferença, no descrédito.
E em Janeiro dar-se-á a revolta dos derrubados em Abril, também esta sem sangue a escorrer nas ruas.
É verdade, somos uns madraços.


dezembro 05, 2005

Não acordem tarde.

Aquilo que ainda me causa algum espanto é a constatação da pouca cultura politica e democrática que se vislumbra na sociedade Portuguesa.
Não admira que um pouco por aí se vá escutando nas pessoas culturalmente menos evoluídas, a afirmação desesperada, “ isto só lá vai com um novo Salazar”.
Podem ficar descansados, que a besta não tornará da cova, nem sequer para de novo cair da cadeira.
Mas ainda fico perplexo com quem acaba por gastar energia eléctrica e energia cerebral, na vã expectativa de assistir a um programa televisivo que eduque, que esclareça o Povo de quem absorvem os euros para a sobrevivência.
Aquilo que já era da desesperança pública tornou-se realidade.
Como devem perceber, não houve debate hoje na SIC.
E não acredito que venha a haver em qualquer uma das televisões.
A passadeira está desde há muito estendida para o retorno ao passado e não há por aí quem tenha saudades das “conversas em família?”
Fiquemos pelas tendenciosas entrevistas a dois, com os tempos de intervenção minuciosamente distribuídos, para um, mais tempo nas questões de mais fácil exploração, para outros (já que vai ser assim em todos os prometidos debates/entrevistas) menos tempo nas questões essenciais.

dezembro 04, 2005

O ano da “ressurreição” ou o ano da afirmação.

Este ano de 2006 que se anuncia farto em miséria escondida e da outra que só não vê quem não quer, corre sérios riscos de se tornar no ano da ressurreição.

O candidato dos grandes interesses económicos (os tais do Beato e outros lugarejos) mantém-se crispado contra os partidos políticos, dos quais se socorre como rampa de lançamento para velhos voos de rapina.
Eu estou preocupado pela aparente bonomia do eleitorado Português, que à mínima distracção vai acabar por ceder à chantagem e colocar os seus destinos nas mãos do verdugo.

Tenho esperança, que a “geração rasca” não tenha a memória curta.
Mas desespero, por ver jornalistas cortejando o candidato que os escorraçou, que os trocou por um bolo-rei.
Tenho esperança, que este Carnaval os Portugueses embarquem nas suas folias recordando com algum gozo as diatribes do então primeiro-ministro e sua recusa em conceder tolerância de ponto, no que foi desautorizado por todo o País ministros incluídos.
Mas desespero com a constatação de alguns sentimentos de apreço por aquela personagem, de alguns sectores da população, cuja memória atraiçoa o raciocínio.
Já ninguém se recorda da imposição dos recibos verdes na administração pública e no sector privado, privando os trabalhadores de um trabalho condigno e depauperando os cofres da segurança social.
O passado está aí e dele ninguém pode fugir, apenas Cavaco Silva tem arte e engenho para fugir e se refugiar nos seus tabus.
Tal como quando ministro das finanças de Sá Carneiro, a distribuição de benesses terá sido de tal monta, que permitiu à AD de então ganhar as eleições legislativas, mas haveria de conduzir as finanças públicas a um estado depauperado que só o recurso a préstimos do FMI haveriam de ajudar a manter algum equilíbrio.
O desaparecimento físico de Sá Carneiro, haveria de ser o mote para a fuga do então ministro das finanças.
Contesta-se hoje nas ruas as medidas de José Sócrates sobre a idade da reforma e muitos destes contestatários, revelam sinais preocupantes de penalizar a esquerda nas próximas eleições presidenciais, na vã esperança de a ilustre personagem vir a alterar alguma coisa.
Esquecem que foi com Cavaco Silva que a idade da reforma para as Portuguesas passou dos 62 para os 65 anos, que se iniciou a subversão das leis laborais, da lei da greve, se abriram as portas aos despedimentos colectivos, que se executou o primeiro acto repressivo contra elementos das forças de segurança.
Portugal é uma nação histórica e dessa história recente há o registo de quarenta anos de fascismo, de opressão, de miséria.
Eu que vivi alguns desses anos, tive o privilégio de criar dois filhos em clima de liberdade e não quero acreditar que os Portugueses venham a contribuir com o seu voto para a opressão sobre os seus netos.
Pois é isso que a personagem almeja.

dezembro 01, 2005

O Vírus, a crispação, o diagnóstico.

O VÍRUS

(O porco da vizinha)

A CRISPAÇÃO

Eu posso me lembrar de dizer que o Sr. tem uma colite ulcerosa. Não quer dizer é que seja verdade. Não entro nesse género de discussões idiotas. Quando eu conheço muitos outros casos de médicos que trabalham de borla no SNS fora das horas laborais. Olhe. Eu por exemplo.(Posted by: cidadao do mundo | novembro 30, 2005 11:23 PM )

O DIAGNÓSTICO

Há um erro de análise do “cidadão do mundo”, que pressupõe logo à partida a imaturidade de quem abordou o tema, ou até mesmo uma certa libertinagem na emissão da opinião do autor do texto referenciado.

Aqui para que conste, nunca são inventadas notícias.

Mas devia o “cidadão do mundo” reler o seu naco de prosa, já que ele próprio reconhece a existência (Quando eu conheço muitos outros casos de médicos que trabalham de borla no SNS fora das horas laborais. Olhe. Eu por exemplo.) de muitos, mas não a maioria, de médicos do SNS que alegadamente cumprem e até mais do que está contratualmente estabelecido.

E poderia, caso a crispação não antagoniza-se o discernimento, perceber que no meu texto, ataco não o indivíduo em si mas a colectividade que o absorve.

(Será uma verdade que os números não desmentirão, não haverá médicos a mais, nem dessa nem de nenhuma outra especialidade, nem neste, nem naquele hospital.)

(A questão da assiduidade, da dedicação, da honestidade, da “competitividade”, da mobilidade, tem de deixar de ser tabu.)

Mas persiste em toda a sociedade estatal, da qual os médicos no SNS são parte integrante, mas não agentes únicos, uma má vontade em aceitar a realidade que embora do conhecimento geral, na generalidade é encoberta em nome de princípios éticos desajustados.

É menos rara do que se possa admitir, a constatação por parte de um agente do estado cumpridor dos deveres assumidos, das faltas de equidade praticadas pelos seus “pares” e por si encobertas.

Persiste igualmente no SNS como uma má formação, a realidade vivida um pouco por todo o país.
Um horário de trabalho de 8 horas diárias, 5 dias por semana, não deveria permitir consultas de manhã e à tarde?
Digo consultas e não aproveitamento da desastrosa gestão praticada no SNS.

A experiência diz-me contudo, que ainda não será desta vez, que vamos erguer uma “estátua” ao altruísmo dos trabalhadores do SNS.