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O ano da “ressurreição” ou o ano da afirmação.

Este ano de 2006 que se anuncia farto em miséria escondida e da outra que só não vê quem não quer, corre sérios riscos de se tornar no ano da ressurreição.

O candidato dos grandes interesses económicos (os tais do Beato e outros lugarejos) mantém-se crispado contra os partidos políticos, dos quais se socorre como rampa de lançamento para velhos voos de rapina.
Eu estou preocupado pela aparente bonomia do eleitorado Português, que à mínima distracção vai acabar por ceder à chantagem e colocar os seus destinos nas mãos do verdugo.

Tenho esperança, que a “geração rasca” não tenha a memória curta.
Mas desespero, por ver jornalistas cortejando o candidato que os escorraçou, que os trocou por um bolo-rei.
Tenho esperança, que este Carnaval os Portugueses embarquem nas suas folias recordando com algum gozo as diatribes do então primeiro-ministro e sua recusa em conceder tolerância de ponto, no que foi desautorizado por todo o País ministros incluídos.
Mas desespero com a constatação de alguns sentimentos de apreço por aquela personagem, de alguns sectores da população, cuja memória atraiçoa o raciocínio.
Já ninguém se recorda da imposição dos recibos verdes na administração pública e no sector privado, privando os trabalhadores de um trabalho condigno e depauperando os cofres da segurança social.
O passado está aí e dele ninguém pode fugir, apenas Cavaco Silva tem arte e engenho para fugir e se refugiar nos seus tabus.
Tal como quando ministro das finanças de Sá Carneiro, a distribuição de benesses terá sido de tal monta, que permitiu à AD de então ganhar as eleições legislativas, mas haveria de conduzir as finanças públicas a um estado depauperado que só o recurso a préstimos do FMI haveriam de ajudar a manter algum equilíbrio.
O desaparecimento físico de Sá Carneiro, haveria de ser o mote para a fuga do então ministro das finanças.
Contesta-se hoje nas ruas as medidas de José Sócrates sobre a idade da reforma e muitos destes contestatários, revelam sinais preocupantes de penalizar a esquerda nas próximas eleições presidenciais, na vã esperança de a ilustre personagem vir a alterar alguma coisa.
Esquecem que foi com Cavaco Silva que a idade da reforma para as Portuguesas passou dos 62 para os 65 anos, que se iniciou a subversão das leis laborais, da lei da greve, se abriram as portas aos despedimentos colectivos, que se executou o primeiro acto repressivo contra elementos das forças de segurança.
Portugal é uma nação histórica e dessa história recente há o registo de quarenta anos de fascismo, de opressão, de miséria.
Eu que vivi alguns desses anos, tive o privilégio de criar dois filhos em clima de liberdade e não quero acreditar que os Portugueses venham a contribuir com o seu voto para a opressão sobre os seus netos.
Pois é isso que a personagem almeja.

Comments

Pois amigo Zé, mas a malta, está provado, é masoquista e gosta de levar nos cornos. Oxalá eu me engane mas...

Um abração do
Zecatelhado

Caro amigo os arautos das inverdades noticiaram à pouco que embora o dito cujo ainda mantenha a dianteira face aos outros candidatos, começou a descer na sua tendência de preferência, isto quanto a mim numa tentativa da parte das empresas de sondagem corrigirem um erro que estão a cometer que é um resultado que jamais exprime a vontade da maioria do eleitorado. Ando há uns dias a escrever que não conheço uma única pessoa e conheço várias que se diga disposta a votar Cavaco Silva. E por isso já há muito me interrogo. Afinal quem são os seus eleitores.

Não consigo imaginar Cavaco presidente de todos os portugueses, apesar das sondagens e do triunfalismo da sua pré-campanha.

A Fundação Canzoada não está com Cavaco Silva!

concordo com o Zeca, o pessoal parece gostar que lhe amansem o lombo...
lamentável, o arrependimento vem normalmente depois da asneira.

Bem podemos saltar, espernear, rabujar... mas vai ser ele...


:/