" /> Querem é mama: janeiro 2006 Archives

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janeiro 29, 2006

AGARRA QUE É LADRÃO

Fica a dúvida, se foi este o apelo lançado.

Mas que a movimentação policial, com dois carros patrulha, um deles em contra mão em pleno IC20 (fica a dúvida se com as sirenes ligadas ou não), previa acontecimento empolgante, entre polícias e quiçá “amigos do alheio”.

Ao cidadão comum, pacifico por natureza, nada com ser lesto a sair do caminho, não vá alguma bala perdida encontrar quem não deva.

Mas o fruto de tanto aparato, ficaria a dever-se a um canídeo de raça indefinida, em idade de pré reforma, que a custo fugia à frente das forças da ordem.

Diligentes os agentes da PSP, dada a pequenez do bastão legal, cedo trataram de munir-se de um varapau, objecto que servia para tentarem, de longe não fosse o canídeo abocanhar o bastão, coçar o lombo do velhote animal.

Esta é pela natureza humana uma história triste, com a agravante de não sabermos o crime cometido pelo canídeo nem sequer a sua sorte, mas cientes da realidade ali bem perto, num parque infantil recentemente inaugurado e com um custo de cerca de 144 mil euros.
Local de reunião habitual de Boxer, PittBul, Rottweiler, enquanto os seus donos ou tratadores se entretêm “impunemente” em negócios ilícitos.

Assim vai a defesa dos cidadãos, na novíssima cidade da C. Caparica.

janeiro 26, 2006

Números…

Estão assim a modos que em pré cozinhado, mais algumas transformações no sector da saúde, que visam, dizem os doutos, melhorar o serviço público.

Trabalhar à peça, leia-se contabilizar o número de doentes alegadamente vistos, dará direito a melhor remuneração e pasme-se beneficia-se a qualidade do serviço prestado.

Certamente deixará de ser contabilizado como consulta, o acto médico da passagem de receituário, para reposição de medicamentação em doentes crónicos.
Certamente passará a estar incluído no acto médico da consulta, o registo informático ou outro, do historial clínico do utente.
Certamente que existirá maior disponibilidade na acção médica imediata, em casos de manifesta urgência de um utente, ainda que não inscrito para uma qualquer consulta.

Prevê-se a formação de equipas cuja composição está definida, um clínico, um técnico de enfermagem, um técnico administrativo.

Adivinhem quem sai lucrando com este negócio…

janeiro 25, 2006

Abel e Caim ou Caim e Abel

A partir de 9 de Março o Palácio de Belém conhecerá um novo inquilino.

Eufemisticamente
Um presidente de todos os Portugueses.
Não um Presidente para todos os Portugueses.

Escutei por aí uma definição que dava conta da existência de dois ódios entre irmãos, não num conto místico, antes na crua realidade.

Sempre tive a percepção que os cidadãos deste país haveriam de ser utilizados para perpetuar esse ódio, ou quiçá, para o apaziguar.
O tempo se encarregará de demonstrar a cor do engano.

Enterrado o Soarismo, há quem se apreste para patrocinar o funeral da cidadania.
Mas Portugal não carece de mais partidos políticos, carece sim de bons políticos e de cidadãos, muitos cidadãos atentos.


janeiro 24, 2006

E Depois do Adeus?

Preocupante, acaba afinal por ser a interrogação que fica depois daquele movimento em redor de Manuel Alegre.
A pedrada no charco, haveria tradicionalmente por fazer evoluir em círculos a água que lhe dá vida, num movimento simétrico que se esvai de encontro às margens.
Para a história fica a memória de um feito.

A sociedade, os homens e mulheres deste País não estão preparados para uma ruptura com o sistema, ruptura que afinal haveria de “circularmente” tornar ao sistema.

Manuel Alegre quer se queira ou não, acabou por representar para muitos de nós um Sebastianismo neo-realista.
Mas o poder instituído pode vacilar, ou aparentar que vacila, mas não tomba.

Que cada um que ousou acreditar, tenha a sabedoria de não se encerrar na sua concha e debata, principalmente em casa, assim como na sua roda de amigos, a verdadeira natureza de um movimento de cidadania, que se pretende mais movimento de pressão do que de natureza politica concorrencial.

janeiro 22, 2006

Festejem enquanto podem.

Há naturalmente um sentimento de frustração, neste findar de dia, em que as previsões de consumo de um dado produto acabam por vingar junto da maioria dos consumidores, não se tratando infelizmente de nenhuma nova bebida espirituosa ou não, nem de uma qualquer inovação em “comida de plástico”.

Não há que esfriar o vigor combativo, até porque a vivência me tem ensinado que nada é absoluto, nada é definitivo e muito menos a salvaguarda das liberdades essenciais.

Tal como escrevi aqui em 30/08/05 e aqui em 22/10/05 o panorama político Português acabará, fruto de uma maioria de razões menos esclarecidas, por sobreviver a vicissitudes inevitáveis. O mesmo já não ouso admitir das classes menos favorecidas dos cidadãos deste País.

Festejem então enquanto vos deixam...


janeiro 16, 2006

UMA PEDRADA NO CHARCO

Nesta coisa de eleições, há sempre um dia dedicado à reflexão dos cidadãos eleitores obrigatoriamente coincidente com a véspera do dia do acto eleitoral.
Nada me obriga a seguir a praxe, posso muito bem reflectir quando me der na gana e sem estar dependente da ordem instituída.

E tenho para comigo uma sensação de vazio, ao constatar que a avidez de democracia e de liberdade, o afã de melhores condições de vida, a melhoria da educação própria ou a dos seus descendentes, o individualismo elevado aos primórdios da imbecilidade por politicas de marketing, acabaram por tramar quem sempre penou na luta pelo pão, pela paz, pela democracia, pela instrução, pela saúde, pelo bem-estar sempre adiado.

Há! se o meu voto no próximo dia 22 tivesse o peso da razão, de por si só elevar um candidato ao mais alto cargo desta nação, não teria dúvidas.

Cavaco seria o escolhido, pois este País necessita de uma lição, para recordar aos gentios de hoje e aos de amanhã, que a revolução se faz com sangue e não com cravos.

Mas todos neste País temos um pouco de poetas, de médicos e de loucos.
Logo o meu voto vai para o poeta.
Não porque seja a Pátria de Camões.
Tão só porque será muito mais do que uma pedrada no charco…

janeiro 04, 2006

Ou o Sr. Cavaco Silva é um mentiroso

Ou os órgãos de comunicação social andam a enganar os seus leitores.

Ontem em seis meios de comunicação Social, Jornais, Rádios, TV e na Internet, foi “empolgante” o ênfase dado à situação do Sr. Cavaco.

“De regresso ao concelho onde nasceu, o candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP”
(na R.R.)

“Sublinhando o "respeito" que tem pelos órgãos de comunicação social, o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP”
(no P.D.)

“Sublinhando o "respeito" que tem pelos órgãos de comunicação social, o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP”
(no Publico)

“Sublinhando o "respeito" que tem pelos órgãos de comunicação social, o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP”
(na Lusa)

“O candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP, Cavaco Silva, começou mais um dia de pré campanha”
(na SIC)

“O candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP propôs, numa entrevista”
(no C.M.)

Mas o candidato clama alto que é apartidário, que não é apoiado por nenhum partido político.

Assim sendo, quem será o mais mentiroso?


janeiro 02, 2006

Pessimista, quem eu?

Parecem bandos de ratos, rabeando a tentar caçar o próprio rabo sem sucesso.
Eruditos, ricos e abastados, sapientes Messias que não logram descortinar a realidade, tudo acusam, tudo repelem, são eles os filhos da aurora que tarda em desabrochar.
Pessimismo, bebe-se pessimismo com a mesma facilidade com que se toma um copo da água que também nos vão privatizar.
Serão afinal as elites as tomadoras do pessimismo que nos invade como um vírus virulento?
Não serão as elites que nos vêm tomando a cidadania, que nos vêm alienando a nacionalidade, a troco de pouco mais que um prato de lentilhas?
Que é da nossa tradicional agricultura de “sobrevivência”, das pescas artesanais, das laboriosas classes operárias que sempre porfiaram a troco de muito pouco.
O sistema capitalista está moribundo, está esgotado e procura sem tino um destino novo.
Não é por acaso que as previsões do FMI apontam um crescimento Mundial tendo como base o desenvolvimento de países como a Índia e a China.
Então estou eu louco ao não acreditar nas nossas elites, políticas, económicas, sociais intelectuais e até sindicais?
Será o pessimismo das elites que vem importunando os Portugueses, ou o despertar da ralé que vem tornando num inferno o oásis dessas elites?


janeiro 01, 2006

Orgulho de ser Português

É verdade, neste ano que se inicia, o orgulho de ser Português não se esbate
na miséria prometida.
Sente-se no ar uma atmosfera de esperança descontraída, onde nem sequer a diminuição dos horizontes dos menos favorecidos esmorece a avidez do lucro fácil.
Acaba por ser uma grande treta essa coisa do fatalismo, do fado como canção nacional, das lamúrias dos esquerdistas.
Temos orgulho da nossa nacionalidade, de sermos Portugueses enganados por Portugueses e até pasme-se já nos deixamos ludibriar por Espanhóis e outros…
Inicia-se um novo ciclo na Portugalidade, um ciclo egoísta e consumista, um ciclo que nos promete a recuperação, não já a tanga do costume, nem sequer o Oásis daqui a milhas, apenas o apertar do cinto do quotidiano.
Somos Portugueses e erguemos esse orgulho com a facilidade que se ergue uma taça de mau espumante, num fim de noite que anuncia um ano repetitivamente mau para muitos e continuamente bom para poucos.
Somos aquele povo que não negando as suas origens humildes, sacrifica os escassos bens a troco de uns dias num qualquer paraíso artificial, mas que recusa empenhar os seus anéis na sua saúde.
Cordeiros, não de um qualquer Deus místico, mas de uma formação bem terrena que nos vem castrando a resistência.