A COMÉDIA II
Quando nasci, não havia possibilidades económicas, para que a minha mãe fosse parir à maternidade mais próxima.
Nasci em casa de familiares, (já que meus pais nem casa decente tinham) como tantos outros que provavelmente sobreviveram durante muitos anos.
Aos meus filhos, estava designado um nascimento diferente, fruto da “Liberdade”.
Acabaram por nascer em ambiente propício, sobreviveram e não sei até onde vão durar.
Naquele tempo, há para aí trinta anos, havia médicos especialistas nos centros de saúde, nomeadamente em obstetrícia/ginecológica e pediatria.
Os primeiros acompanhavam as futuras mamãs, desde a descoberta de que estavam grávidas, até ao encaminhamento para a maternidade e na maior parte dos casos, até há hora do parto.
Os segundos, lá estavam de braços abertos para receberem o nascido e partilharem o seu crescimento.
Depois deu-se a “evolução” na revolução, a "raça" de médicos especialistas extinguiu-se
(ou privatizou-se) e poucos sobraram para “povoarem” o SNS.
Meu neto, ainda teve direito a um nascimento (embora com percalços não traumatizantes) clinicamente assistido em ambiente propício.
Este rol de acontecimentos terá para aí seis décadas e curiosa é a regressão na assistência materno/infantil, que ameaça o retorno aos anos 40, menos de um século volvido.