A propaganda libertina
Todos os regimes políticos sem excepção deitaram (deitam) mão da propaganda no intuito único de sobrevalorizarem as suas pretensões desvalorizando os protestos de quem é mais atingido pelos ditames da classe dominante no momento.
Se facilmente se entende que em regimes de pouca ou nenhuma liberdade de imprensa ou de opinião, seja difícil ao comum dos seus cidadãos entender de que lado pesa mais a balança, muito embora ela denote uma maior quebra sistemática do lado dos mais fracos, já nos regimes ditos abertos, onde a liberdade de imprensa ou de opinião vai sendo consentida, tal juízo deve ser encarado com muito mais tenacidade, sentido de alerta, perspicácia e boa leitura dos porquês.
É comum nos sistemas ditatoriais, prática que vem sendo aplicada em alguns sistemas ditos democráticos, a utilização do exercício político de contra informação, desde há muito conhecida como “dividir para reinar”.
O exemplo dos funcionários da administração pública, que acabaram por ver as suas regalias sociais (quase) equiparadas aos restantes trabalhadores, não merece da minha parte nenhum comentário que não seja o de aprovação.
Mas repare-se agora, que quando se pretende aplicar a redução dos benefícios sociais aos trabalhadores do sector privado, omite-se a tese anterior de equiparar públicos e privados.
Foi fácil estabelecer como inimigos os ditos funcionários da Administração Pública.
Afinal a rotulagem que lhes vem sendo aposta, considera-os como “parasitas”, “mamões do estado”, “madraços” etc. Para que os verdadeiros “parasitas” continuem impunes na opulência, nada mais oportuno que lançar trabalhadores contra trabalhadores.
Comments
Como fazendo parte dos "parasitas", etc., terei sobretudo que lembrar quão injustas têm sido as generalizações e os rótulos que nos têm sido colados. E quão fácil é fazer cair as penalizações para o lado daqueles que dependem do Estado para ganhar a vida.
Enfim, mas concordo que pôr trabalhadores contra trabalhadores sempre foi a estratégia para continuar a prejudicar todos.
Um abraço
Posted by: lique | maio 22, 2006 10:27 PM