Ai Timor.
Um sonho intranquilo, constantemente quebrado por cedências e cedo abandonado por grupos desinteressados.
De Timor fica-nos a dor do seu povo, com a pior de todas as agravantes, o de falar Português apesar de todas as desvirtuações.
Há sempre um misto de solidariedade e preocupação, pese embora a distância e as poucas falas ou escritas que abonem o real sentir daquele povo.
Não é fácil tentar entender alguns porquês, muito embora a desconfiança natural, aponte definidamente os contornos do dia tornado noite pela vontade de muito poucos.
Fica-nos uma certeza, a de que o primeiro-ministro de Timor está comprometido com a actual situação, dada a sua aparente fraqueza demonstrada na conferência de imprensa e que o presidente não o está menos, dado o adiar de uma tomada de posição firme e eficazmente esclarecedora e simultaneamente apaziguadora.
Mas o guerrilheiro Xanana, depois da prisão em Jacarta, perdeu a fiabilidade.
Penso que se salva para já a atenção do M.N.E de Portugal relativamente ao seu homólogo Australiano, obrigando este, a justificar num lesto sossegar de ânimos, pouco convincente valha a verdade, a bondade da ajuda Australiana.
O destino daquele povo devia estar nas suas próprias mãos, mas levado ao engano, embarcou na nau do perdão e está à beira do naufrágio.
Tem de existir em Timor, alguém que ame o seu próprio povo e que o lidere na dura jornada pela emancipação.
Se assim não for, os oportunistas que se acotovelam quais abutres sobre a presa moribunda nada deixarão.