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Porto Covo, desalinhado.

(parafaseando Carlos TÊ e Rui Veloso, com um pedido de desculpas a ambos)

Roendo uma laranja na falésia
Olhando o futuro à minha frente
Ouvindo um rouxinol da miséria
No quotidiano da minha gente.

Em baixo fogos trémulos das reformas
Ao largo as águas brilham como pratas
E a brisa vai contando novas formas
De acordos e negociatas de piratas.

Havia um pessegueiro na ilha,
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem por amor se matou novo
Aqui no lugar de Porto Covo.

A lua já desceu sobre este rapaz
E brilha apontando o cruzeiro
Onde se promete e nada se faz
Deixando o povinho sem dinheiro.

Ao longe a chama trémula num pavio
Apaga-se no mar como num desejo
De torcer à viva força o destino
Traçado por políticos sem traquejo.

Havia um pessegueiro no País
Plantado por um povo tão feliz
Que dizem por liberdade se finou
Aqui no lugar onde estou.

Roendo uma laranja na falésia
Quebrando uma rosa desmerecida
Podia ser um sonho de modéstia
Acaba sendo um grito de partida.

Comments

Uma versão de Porto Côvo que podíamos todos cantar em coro, de tal forma faz eco do sentir geral. Acho que o Carlos Tê e o Rui Veloso te perdoavam.
Um abraço

"E a brisa vai contando novas formas
De acordos e negociatas de piratas."

retrata bem a actualidade da situação...

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