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Os príncipes de orelhas de burro

Todos acabamos por criticar, na exacta medida em que igualmente o votamos ao abandono, o sistema de ensino nas últimas décadas em Portugal.

É conhecida a necessidade de muitos licenciados em arranjar colocação (emprego) na área que pré estabeleceram como a ideal para as suas aptidões ou necessidades.
A falta desta, ou a sua escassez, empurrou muitos jovens para o ensino.
É igualmente notória a inaptidão de muitos encarregados de educação para o cargo que na generalidade, emblematicamente assumiram.

Mas todos temos consciência que o divórcio existe entre a Escola/Sociedade/Professores/Alunos/Encarregados de educação.

Há um grupo de trabalho, que se assume como o da mudança, desta feita alojado no Ministério da Educação, que tem demonstrado, para lá de alguma falta de tacto, quiçá de excesso de absolutismo, uma vontade de mudar.

Aos órgãos representativos dos professores, caberia em primeira-mão, promover as alterações (por demais evidentes) em jeito de pacotes de proposta.
Não durante esta legislatura, se calhar nem durante a anterior, mas talvez numa das anteriores.

Para alguma coisa haveria de servir um número superior a 35 mil professores, efectivos ou não.

O que sucede quando “adormecemos” à sombra do lugar “conquistado” é que este tende a ser abanado quando surge alguém com alguma coragem, que para lá de alguma ignorância, demonstre uma vontade de mudança.
Bem sei que o factor económico tende a pesar na maior parte das decisões de quem assumiu o “fardo” de governar.
Mas se nada for feito, de forma a contrariar aquela visão economicista do ensino, nada acabará por ser realizado de palpável para o futuro da geração estudantil.
Os resultados do divórcio Escola/Sociedade acabam sempre por se reflectir no divórcio Professores/Alunos, tanto pela falta de motivação de uns como de outros.

Comments

Ninguém conhecedor nunhum professor consciente pode dizer que está tudo bem, que nda há para mudar. É preciso mudar muita coisa. No entanto, a proposta de ECD que aí vem visa sobretudo travar a carreira e ter uma vida inteira professores a ganhar metade do ordenado. Quanto ao que há mudar aponta o sentido errado.

Ando muito baralhada!
Como disse aqui em cima o João Norte, só alguém que não viva neste mundo poderá dizer que não é preciso mudar muita coisa. Muitíssima. Não me tem agradado nada ( a mim que não sou professora) que se tenha usado os professores como os responsáveis por todo o mal do ensino. Por outro lado, seria importante que a classe também fizesse propostas construtivas e não se unisse de um modo corporativo como às vezes parece fazer-se. Porque lá que há maus professores, sabemos que é verdade. E a maçã podre pode contaminar o cesto. Por mim considero que há muitíssimo menos joio do que trigo, mas a separação devia fazer-se.

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